Assista: Policiais mortos durante megaoperação no Rio de Janeiro são enterrados | Jornal Primeira Hora
Ontem, dois PMs mortos durante a megaoperação no Rio de Janeiro foram enterrados. Os sargentos do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) Cleiton Serafim Gonçalves, de 40 anos, e Éber Carvalho da Fonseca, de 39, receberam homenagens emocionantes durante o cortejo fúnebre.
Os corpos foram transportados em um cortejo que contou com carros da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros pelas ruas do Rio de Janeiro. Em um dos momentos mais marcantes, pétalas de flores foram jogadas de um helicóptero da PM sobre o trajeto.
Anderson Araújo, cunhado de Éber Carvalho da Fonseca, lembrou do sargento:
“Um marido dedicado, um pai dedicado, amoroso. Quem conhece o Éber sabe o quão incrível ele é e fica aí a saudade de um cara maravilhoso.”
No total, a megaoperação contra o Comando Vermelho resultou na morte de quatro policiais e deixou outros 13 feridos. Os confrontos entre agentes e traficantes aconteceram majoritariamente em uma região de mata fechada.
A estratégia utilizada pelas forças de segurança foi a de empurrar os criminosos da favela para a Serra da Misericórdia, que divide os complexos da Penha e do Alemão. Nesta área, os criminosos eram esperados por outro grupo de policiais que formava o chamado "muro do BOPE".
A tática de fuga dos criminosos para a mata, similar à usada em 2010, foi analisada pelo ex-comandante da força de pacificação da comunidade, Fernando Montenegro, que destacou a diferença entre as operações.
“Em 2010, a operação que ocorreu foi bem diferente dessa. Foi uma operação ali, o que a gente chama de investimento, né, do pessoal do BOPE com os blindados da Marinha. E não houve esse planejamento prévio de cercamento,” lembrou Montenegro.
Segundo o secretário de segurança pública do Rio, Víor Santos, um plano de "retomada" da região pelas forças policiais está sendo elaborado. O secretário defendeu que o modelo de "ocupação já não funcionou no passado" e não funcionará, pois as forças de segurança não têm efetivo para ocupar as 1.900 favelas do estado.
O plano de retomada está sendo construído "a quatro mãos" e a ideia é apresentá-lo até o final do ano ao grupo de trabalho do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), para que, após aprovação do STF, inicie a execução.
A Polícia Civil mantém patrulhamento reforçado em frente ao Instituto Médico Legal (IML), enquanto familiares dos mortos na operação reclamaram nesta quinta-feira da demora na identificação dos corpos. Até o momento, 100 corpos passaram por exames e 60 foram liberados.
Em relação às investigações, o secretário Víor Santos afirmou que vai apurar o caso de um corpo encontrado decapitado. A Polícia Civil também investiga a possibilidade de fraude processual envolvendo a remoção de corpos que estavam na mata, além de ter identificado que um dos carros usados no transporte dos mortos era roubado. A Defensoria Pública da União e a Defensoria Pública do Rio entraram na justiça para acompanhar o trabalho de perícia e pedir autorização para produzir laudos paralelos, respectivamente.