O projeto do Real Digital não está sendo abandonado, mas sim reorientado com foco em novos objetivos e tecnologia agnóstica
Publicado em: 20 de outubro de 2023
Nos últimos dias, a notícia de que o Banco Central (BC) estaria "pondo fim" ao Drex, o projeto do Real Digital, gerou grande confusão e alarde no mercado financeiro. A manchete inicial, amplamente divulgada, sugeria o desligamento da plataforma e o abandono total da iniciativa. Contudo, ao analisar a situação a fundo, a conclusão é que o projeto não apenas segue vivo, mas passa por uma reorientação crucial e um processo de desidratação em seu escopo.
A tecnologia blockchain inicialmente testada para o Drex não atendeu aos requisitos do Banco Central
A confusão começou com a notícia do desligamento iminente da plataforma que estava sendo utilizada na fase de testes do Drex. Representantes dos consórcios participantes foram informados pelo BC de que a infraestrutura, baseada em tecnologia blockchain, seria desativada.
Não é o Fim do Drex: O desligamento da infraestrutura DLT (Distributed Ledger Technology) não significa o abandono do projeto. Ele representa o fim da atual fase de testes e da tecnologia blockchain específica que estava sendo utilizada.
Motivo: As soluções experimentadas em blockchain não conseguiram atender aos requisitos mínimos do BC, especialmente no que tange à privacidade das transações e ao sigilo bancário, essenciais para as operações entre instituições financeiras. O BC concluiu que "não é viável manter uma infraestrutura estatal para viabilizar esses negócios" nesses moldes.
O Drex está evoluindo para uma nova fase com foco em serviços financeiros específicos
O restante das apurações contradiz a interpretação inicial de "fim". O projeto Drex está evoluindo para uma nova fase com um escopo mais restrito e focado:
📝 Em Resumo: O Drex deixa de lado a tecnologia blockchain inicial e adia o foco em pagamentos de varejo para se concentrar em aprimorar a liquidação e o uso de ativos tokenizados (como recebíveis e garantias) dentro do sistema financeiro.
A comunicação deficiente do BC contribuiu para a confusão sobre o futuro do Drex
Um ponto de crítica recorrente e que contribuiu para a confusão foi a comunicação deficiente do Banco Central ao longo do projeto.
A próxima fase do Drex está prevista para 2026 com tecnologia agnóstica
Apesar da turbulência, a conclusão para o mercado é positiva: o Drex não está morrendo. O projeto continua avançando, mas em um ritmo e direção mais restritos e focados em otimizar operações dentro do sistema financeiro (como crédito e garantias), impactando muito pouco ou quase nada os pagamentos do cidadão comum, como chegou a ser temado.
A fase 3 do projeto, que será iniciada em 2026 com uma tecnologia agnóstica, busca garantir um ambiente interoperável para ativos tokenizados, onde a moeda de liquidação seja uma moeda do Banco Central. O "monstrengo potencial" de um dispositivo totalitário de moeda digital de Banco Central de varejo (CBDC) de alcance irrestrito continua, felizmente, "bem domado" e restrito.