A cidade de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, enfrenta uma nova e difícil fase após ser atingida por um dos tornados mais violentos de sua história. O fenômeno, que ceifou vidas e deixou um rastro de devastação, mobilizou uma gigantesca força-tarefa voltada à reconstrução e, mais urgentemente, ao restabelecimento de serviços essenciais.
A Dimensão da Destruição Classificada como EF3
Os números da tragédia são um retrato da fúria da natureza. Classificado como EF3, o tornado trouxe consigo ventos que superaram os 250 km/h, resultando em:
- 6 óbitos e cerca de 800 feridos.
- 90% das edificações do município foram destruídas.
- Mais de mil pessoas desabrigadas.
- Um total de 14.600 paranaenses foram diretamente afetados.
Com grande parte da infraestrutura comprometida, a prioridade imediata é garantir que a população tenha acesso a água e energia.
Mobilização de Equipes e Ajuda Humanitária
A resposta ao desastre tem sido rápida e coordenada. Equipes das companhias de água e energia, Copel e Sanepar, trabalham de forma incessante para restabelecer os serviços básicos. Paralelamente, a Defesa Civil, com o apoio de cidades vizinhas, está em mutirões de limpeza para desobstruir vias e áreas atingidas.
Na frente da reconstrução, a mobilização técnica é robusta: 200 engenheiros da COAPAR e do CREA-PR estão no local avaliando os danos estruturais para iniciar a reconstrução de casas, escolas e também das APAIs.
Auxílio Financeiro e Apoio Governamental
Os três níveis de governo garantiram que o auxílio financeiro não faltará. O Governo do Estado do Paraná e a Assembleia Legislativa (ALEP) aprovaram um montante significativo de ajuda:
- Foram liberados R$ 53 milhões (R$ 50 milhões do governo estadual e R$ 3 milhões da ALEP) que serão pagos diretamente às famílias afetadas.
- O ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Valdes Gois, garantiu que o Governo Federal está focado no restabelecimento e reconstrução.
- Além disso, a Caixa Econômica Federal tem a expectativa de liberar ainda nesta semana o uso do FGTS para as vítimas, permitindo o saque por calamidade com limite de pouco mais de R$ 6.000.
A Força da Vida: O Relato de Quem Perdeu Tudo
No meio da destruição, a resiliência humana se destaca. O pedreiro Domingos Lima de Souza, morador de Rio Bonito do Iguaçu, relatou ao repórter William Batista os momentos de pânico e a perda total de seus bens.
“Acabou tudo, porque eu mesmo só fiquei com a roupa do corpo... As paredes da casa [ficaram], que o resto não sobrou nada.”
“Mas graças a bom Deus que estou vivo. Isso a gente corre atrás, o que estragou a gente dá um jeito de correr atrás, mas graças a bom Deus a vida é a única que é a principal, é o que nós temos.”
— Domingos Lima de Souza, pedreiro e morador da cidade
Apesar da dor e das dificuldades imediatas — ele mencionou ter comido apenas uma marmita e um sanduíche nos dias seguintes —, seu relato traz uma mensagem de esperança e prioridade: a vida.
O caminho para a total recuperação é longo, mas o esforço conjunto das equipes de resgate, voluntários e o apoio dos governos reforçam a determinação de Rio Bonito do Iguaçu em se reerguer, priorizando a vida e a dignidade de cada um de seus moradores.