O ex-presidente Donald Trump assinou um decreto que instrui as autoridades americanas a processar indivíduos que queimarem a bandeira dos Estados Unidos. A medida, que prevê punições mais severas, incluindo prisão e o cancelamento de vistos para estrangeiros, levanta discussões sobre os limites da liberdade de expressão e a contradição com decisões históricas da Suprema Corte.
A ordem executiva estabelece que a queima da bandeira, classificada como profanação do símbolo nacional, pode resultar em um ano de prisão. Para estrangeiros, as consequências são ainda mais severas, com a possibilidade de revogação de vistos, autorizações de residência e até mesmo procedimentos de naturalização. Trump, que já se declarou admirador do juiz conservador Anthony Scalia (falecido em 2016) — que, em 2012, afirmou que "se fosse rei, não permitiria que as pessoas queimassem a bandeira americana" —, já havia prometido durante a campanha tornar a queima da bandeira um crime com punições severas.
A medida, no entanto, entra em conflito direto com um precedente histórico da Suprema Corte. Em 1989, a Corte decidiu que a queima da bandeira constitui um "discurso simbólico" e, portanto, é protegido pela Primeira Emenda da Constituição americana, que garante a liberdade de expressão.
A nova medida de Trump é vista como mais um teste sobre os limites da Constituição e dos princípios de liberdade de expressão, que são muito valorizados pelos americanos. Além do decreto sobre a bandeira, outras ações do governo Trump são citadas no contexto do desafio a esses limites.
Um exemplo é a exigência para que candidatos a determinados tipos de vistos (FMJ) abram suas redes sociais para inspeção dos consulados, uma ação vista como uma contradição flagrante com o discurso de Trump em defesa da liberdade de expressão, especialmente quando ele critica a censura em outras plataformas. Outra medida mencionada é a redução de recursos a universidades federais por questões ligadas ao que o governo considera "discursos antissemitas".
O decreto contra a queima da bandeira se insere em um padrão de ações do governo que buscam executar promessas de campanha por meio de ordens executivas, mesmo quando há discussões constitucionais sobre sua legalidade. Para analistas, a medida representa uma contradição do próprio presidente, que defende a liberdade, mas toma decisões que limitam as expressões de descontentamento em seu próprio país.